O impacto da envoltória no desempenho térmico de HIS: Avaliação das exigências da portaria MCID n° 725/2023

Autor:
C.Z.M. Veiga
Orientador:
A.P. Melo
Resumo:

O Brasil enfrenta hoje um déficit habitacional de mais de seis milhões de moradias. Para suprir este déficit, foram realizadas tentativas governamentais ao longo dos anos, culminando no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), vigente desde 2009. Apesar da satisfação geral dos beneficiários, as habitações apresentam problemas que comprometem a qualidade de vida dos usuários. Diante disso, a Portaria MCID nº 725/2023 estabeleceu requisitos obrigatórios para os projetos dessas moradias. Este trabalho teve como objetivo avaliar o impacto da envoltória no desempenho térmico de uma habitação de interesse social de tipologia geminada, conforme as exigências da referida portaria. Para isso, foram simuladas variações nos parâmetros da envoltória indicados pela portaria - pé-direito, absortância, veneziana e varanda -, analisados isoladamente e em combinações, que resultaram nos modelos obrigatório e otimizado, comparados a um modelo de referência. A modelagem da varanda foi realizada com base em duas abordagens distintas previamente analisadas, permitindo selecionar a que melhor representa o sombreamento da solução adotada. As simulações foram realizadas para as cidades de Curitiba e São Luís, considerando as orientações solares norte e oeste, e uma unidade habitacional localizada no térreo e outra na cobertura. Foram utilizados os indicadores da NBR 15575:2021 para avaliação do desempenho térmico. Os resultados mostram que a absortância solar exerceu o maior impacto na carga térmica, elevando o nível de desempenho térmico de mínimo para superior em São Luís, reduzindo a carga térmica em 47% e aumentando PHFT em quase 60% na unidade da cobertura orientada a oeste, com relação ao caso de referência. A presença e a profundidade da varanda também melhoraram os indicadores, especialmente na unidade térrea orientada a norte em São Luís, com aumento de aproximadamente 10 pontos percentuais no PHFT. O impacto das venezianas foi mínimo, com pouca redução de carga térmica em todos os casos. Já o aumento do pé-direito para 2,6 m não apresentou resultados significativos. A combinação dos parâmetros no modelo obrigatório, conforme a Portaria MCID nº 725/2023, elevou o nível de desempenho para superior em todos os casos para São Luís. O modelo otimizado ampliou esses ganhos, reduzindo a carga térmica em até 85% e aumentando o PHFT em mais de 57% quando comparado ao caso de referência. Em Curitiba, onde o clima é mais ameno, o modelo otimizado reduziu a carga térmica em 46% e a temperatura máxima em mais de 6 °C na unidade da cobertura orientada a oeste. Em resumo, a Portaria MCID nº 725/2023 representa um avanço importante para o desempenho térmico das habitações de interesse social, sobretudo em climas quentes e úmidos. Pequenas alterações adicionais, com baixo custo, podem ampliar os benefícios energéticos, promovendo a otimização dos projetos para diferentes condições climáticas no Brasil.

Ano de defesa: