Base Brasileira de Dados de Conforto Térmico

Este projeto tem como principal objetivo a formação de um banco de dados brasileiro focado nos aspectos relativos ao conforto térmico humano em ambientes internos, bem como da aceitabilidade do movimento do ar de usuários em edificações comerciais, institucionais e residenciais.

Principais metas:

  • Utilizar os dados resultantes dos experimentos de campo como referência para a formulação de normas apropriadas ao contexto brasileiro, tendo em vista o menor consumo de energia em edificações;
  • Identificar as preferências térmicas específicas dos usuários sob três estratégias de condicionamento ambiental: condicionamento artificial, ventilação natural e híbrido, caracterizando possíveis diferenciações;
  • Identificar a aplicabilidade e/ou possíveis discrepâncias do modelo adaptativo a partir dos dados coletados por este projeto;
  • Contribuir para a metodologia de estudos de campo em ambientes internos sob a condição de uso real dos usuários.

Dados no Relatório do Grupo III do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) indicam o setor de edificações como o mais promissor em termos de diminuição nas emissões de carbono (IPCC, 2007). Para tal, o mesmo relatório propõe a necessidade de mudanças no design das edificações, com foco na diminuição do uso de ar-condicionado, no incremento dos meios passivos de condicionamento além da preocupação com os ganhos de calor pelo envelope da edificação.

No Brasil, observa-se que os setores público e comercial, quando somados, correspondem a 48% do consumo final de energia (BEN, 2013), sendo aproximadamente 50% deste valor destinado ao condicionamento ambiental. No entanto, o emprego do condicionamento ambiental não implica em uma relação direta com a satisfação do usuários. Estudos realizados indicam que grande parte da insatisfação dos usuários nos seus ambientes de trabalho advém do desconforto térmico (HUIZENGA et al, 2006); sendo este também um dos principais itens relacionados à produtividade dos ocupantes (ZHANG et al, 2008). Em termos desta relação usuário-edifício, nota-se o crescente desenvolvimento de pesquisas com foco na satisfação, envolvendo aspectos relativos à preferência, sensação e aceitabilidade térmica. Nestes termos, experimentos de campo conduzidos em “ambientes reais”, ocupados e utilizados por usuários “reais” parecem ser mais representativos do que aqueles desenvolvidos em ambientes laboratoriais (DE DEAR, BRAGER, COOPER, 1997). Nesse sentido, o desafio de desenvolver experimentos de campo focando em normas com intrínseca relação com as condições regionais e no intuito de promover menor dependência do uso de condicionamento ambiental nos edifícios está em pauta (ZHANG et al, 2008).

O projeto aqui apresentado tem como objetivo formar um banco de dados brasileiro focado nos aspectos relativos ao conforto térmico humano, bem como a aceitabilidade do movimento do ar de usuários em ambientes internos de trabalho. Embora focado em edificações comerciais, este projeto pretende ainda incluir dados de experimentos previamente desenvolvidos em outros tipos de edificações, tais como residências e escolas, no intuito de ampliar sua abrangência.

Contatos

Roberto Lamberts1Christhina Cândido2Renata De Vecchi1

1 Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis – Brasil

2 The University of Sydney, Sydney – Australia

Referências

BRASIL, Ministério de Minas e Energia. Empresa de Pesquisa Energética: Balanço energético Nacional. Resultados preliminares/ BEN 2006 ano base 2005. 
DE DEAR, R.; BRAGER, G.; COOPER, D. Developing an adaptive model of thermal comfort and preference. Final Report ASHRAE RP-884, 1997.
HUIZENGA, C.; ABBASZADEH, S.; ZAGREUS, L.; ARENS, E. Air quality and thermal comfort in office buildings: results of a large indoor environmental quality survey. Proceedings, Healthy Buildings 393-397, Lisbon, Portugal, 2006. 
IPCC, Climate Change 2007: Mitigation of Climate Change. Full Report, Working Group III of the IPCC, 2007. 
ZHANG, H.; ARENS E.; ABBASZADEH, S.; HUIZENGA, H.; BRAGER, G.; PALIAGA, P.; ZAGREUS L. Air movement preferences observed in office buildings. International Journal of Biometeorology, 51: 349–360, 2007.

Arquivos para download:

Relatório de pesquisa e projeto de norma brasileira de conforto térmico. Acesse.

Relatório de pesquisa - Ventilação natural e conforto térmico em climas quentes (Christhina Cândido): Acesse.

Relatório de pesquisa - Tópicos avançados em conforto térmico (Wagner Andreasi): Acesse.

Acesse aqui as teses e dissertações com resultados de estudos de campo no Brasil (LabEEE).

Base de dados ASHRAE RP-884

Relatório Final: ASHRAE RP-884 (1997)

ASHRAE Global Thermal Comfort Database II

Artigo: Conforto térmico em ambientes internos no Brasil e o desenvolvimento da base brasileira de dados. ENCAC 2019.