Sensação de conforto térmico entre gêneros nos edifícios de escritórios em Florianópolis

Autor: 
Jéssica Kuntz Maykot
Orientador: 
Enedir Ghisi e Ricardo Rupp
Resumo: 

Ao longo dos anos, alguns estudos que investigaram a possível existência de diferenças entre os gêneros com relação ao conforto térmico não obtiveram resultados que apresentassem diferenças significativas. A fim de verificar possíveis diferenças entre os gêneros com relação ao conforto térmico em edifícios de escritórios em Florianópolis, foram realizados 83 experimentos de campo ao longo do ano de 2014, considerando todas as estações do ano, em três edifícios públicos – sendo um com condicionamento central de ar e os outros dois com modo misto de operação, isto é, edificações que podem operar tanto com condicionamento artificial quanto com ventilação natural, levando em conta a preferência dos ocupantes - com salas compartilhadas entre homens e mulheres. Para coletar os dados ambientais foram utilizados dois confortímetros e um termoanemômetro para medições pontuais. Para a coleta dos dados subjetivos, os ocupantes responderam um questionário com um total de seis etapas, sendo a primeira para registrar as características gerais dos ocupantes e as outras cinco corresponderam às questões relacionadas ao conforto térmico. Cada etapa do questionário foi respondida respeitando um intervalo de 20 minutos. Por fim, os dados coletados foram submetidos a procedimentos de análises estatísticas. Os dados foram separados por tipo de edificação (edificação com ar-condicionado central e edifícios com modo misto de operação) e, posteriormente, por modos de operação (ar-condicionado ligado e janelas fechadas, ar-condicionado ligado e janelas abertas, ar-condicionado desligado e janelas abertas e ar-condicionado desligado e janelas fechadas). Também foram analisadas situações com condicionamento artificial de ar e com ventilação natural. Nos casos analisados, que apresentaram um número de dados superior a cem votos, foi observada não existência de diferenças significativas entre os gêneros com relação ao isolamento por vestimentas. Em edificações com condicionamento central de ar verificou-se a existência de diferenças significativas para as variáveis sensação térmica, preferência térmica, aceitabilidade térmica e conforto térmico. Nos casos nos quais os aparelhos de ar-condicionado estavam ligados e as janelas estavam fechadas, foram observadas diferenças significativas apenas para a variável aceitabilidade térmica. Quando os aparelhos de ar-condicionado encontravam-se desligados, porém as janelas estiveram abertas, foram observadas diferenças significativas entre homens e mulheres para as variáveis sensação térmica e preferência térmica. Nas situações onde os aparelhos de ar-condicionado estavam desligados e as janelas fechadas, foram observadas diferenças significativas entre os gêneros apenas para a variável sensação térmica. Foram poucas as situações quando os aparelhos de ar-condicionado estavam ligados e as janelas
abertas, fato que reduz a confiabilidade estatística dos dados obtidos. Dessa maneira, pode-se afirmar que edificações com modo misto de operação tendem a reduzir as diferenças entre os gêneros e proporcionar ambientes térmicos mais agradáveis para ambos. Nos ambientes condicionados artificialmente, foram observadas diferenças significativas entre os gêneros para as variáveis preferência térmica e aceitabilidade térmica, enquanto nos ambientes ventilados naturalmente foram observadas diferenças associadas ao gênero para as variáveis sensação térmica e aceitabilidade térmica. Portanto, ao contrário do que alguns estudos anteriores concluíram, este comprova a existência de diferenças significativas entre os gêneros com relação às variáveis associadas ao conforto térmico.

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